Bom, já que hoje acabei o estudo antes de tempo, vou aproveitar para escrever algumas reflexões sobre a actualidade.
Tropas Inglesas ficam no Iraque até 2010
Bom, na realidade acho estranho. Sabendo nós que os recursos do petróleo dão para mais de 4 anos.
Bush admite ficar lá até quando for preciso, que por este andar serão 30 anos (fim previsto das reservas), contudo podemos sempre pensar que, se o valor dos combustíveis fósseis, daqui a uma década/duas décadas, chegar a um pico que tornará inviável a sua utilização, então a exploração desses mesmos combustíveis entrará em colapso. Pelo que os EUA deixarão de ter interesse no Iraque, retirando-se mais cedo.
Ramos-Horta confirmado chefe de Governo Timorense
Há alguma coisa muito mal contada nesta história toda. Aquela que era a “nação exemplo” da ONU, que melhor abraçou o processo evolutivo democrático e melhores índices apresentou, para uma nação de tão curta existência; veio a viver uma crise política recheada de violência, escândalos e sabe-se lá mais o quê. Desilusão e surpresa, foi como o ocidente recebeu as notícias vindas de Timor.
Contudo tenho fé no Ramos-Horta e no Xanana Gusmão, também espero uma maior solidariedade, principalmente no ponto de vista económico, por parte da Austrália e da Indonésia, que não se cansam de tentar lucrar alguma coisa com a desgraça do povo timorense.
Primeiro-ministro palestiniano apela a intervenção da comunidade internacional.
Para quando o fim da falta de vergonha do ocidente? Para quando o fim do apoio financeiro, logístico e político dos EUA ao maior exemplo de terrorismo de estado? Para quando o fim do seguimento cego e vassalo da UE aos EUA nesta matéria? Para quando o bater do pé por parte do Ocidente aos crimes israelitas?
É verdade, o Hamas é uma força com uma dimensão bélica, não menos verdade é que foi legitima e democraticamente eleito. O corte dos fundos à Palestina só piora as condições de vida daquela gente, e essa é a única causa do terrorismo. O terrorismo é a arma dos desesperados, dos sem esperança e não uma táctica de guerra dos favorecidos.
Onde está a comunidade internacional a criticar a opressão Israelita a um estado Democrático palestiniano? Quando essa crítica era paga pelo petróleo, para apoiar a guerra no Iraque ou Afeganistão, todos a fizeram em fila indiana, como quem espera alguma migalha dos restos da guerra. Agora que os direitos humanos são violados, e não há dinheiro envolvido, já ninguém a faz. Curiosa contradição, ou não será uma contradição? A vassalagem económica dos estados ocidentais provoca tanta contradição política, e tão clara, que não se percebe a displicência do povo.
China inaugura comboio para o Tibete
Mais uma tristeza neste mundo. Após anos de ocupação, e de muitos outros de “re-colonização” do Tibete(um país ocupado) a comunidade ocidental continua a fechar os olhos a esta atrocidade. Não só finge que não vê, como torna escandalosa a sua associação a este acto criminoso chinês. A entrada China para a OMC, a convite dos EUA, mostra isso mesmo: após anos de impedimento por continua violação de direitos humanos (trabalho escravo – ainda se dizem socialistas, ocupações militarizadas, …) foram aceites na OMC, em troca de um veto no conselho de segurança da ONU. Em nome do dinheiro, todos os pecados são perdoados.
Este comboio só vai gerar mais domínio sobre esta região. Esta obra, como podemos constatar em sites de luta como http://www.savetibet.org ou http://www.freetibet.org, custou $4.2 Mil Milhões (U.S.), que equivale, sensivelmente, ao triplo do gasto nesta região “autónoma” pelo governo de Pequim entre 1952 e 2000 em saúde e educação.
Não bastando a crueldade sem escrúpulos do dito estado “socialista”, a obra teria de fazer lucrar importantes empresas do ocidente, que, ignorando as razões políticas e a falta de legitimidade do estado chinês, viram assim mais uma excelente oportunidade de negócio, que, sem dúvida, foi um sucesso.
Foi um post curto, mas bom…creio.
Mais virá no futuro.
Obrigado
É bom teres voltado a escrever no novaesquerda. Acima de tudo mostra que as ideias não pararam e a vontade de as partilhar continua forte. Afinal, de que vale ter ideias e não as largar ao vento, na esperança de que caiam em terreno fértil?
Quanto aos posts, vou tentar fazer uma análise na generalidade, para depois tecer alguns comentários sobre cada um deles, individualmente. Os quatro temas são bastante bons, muito virados às questões diplomáticas mais prementes deste Mundo em que vivemos. Em cada um deles desenvolves o suficiente para suscitares algumas questões pertinentes (e muito interessantes!), mas são demasiado curtos e deixam de lado muitas ideias e muitos factos que eu considero da maior importância na análise de algumas destas questões. No entanto foi um bom (re)começo e espero, muito sinceramente, que continues a escrever com regularidade. Quem já te ouviu falar sobre questões políticas sabe que tens um potencial tão grande que é quase um crime as tuas ideias não ficarem aqui registadas!
(…e depois aqui estão duas páginas A4 de comentários sobre os 4 temas, páginas essas que já te enviei e que não vou colocar aqui pois não acho que seja muito correcto o comentário ser maior que o post
)
Gosto de ti.
Olá! Vim, por acaso, ter ao seu blogue… Augurando uma Nova Esquerda, pensei que fossem, de facto, ideias inovadoras. Esperava ideias novas. Confesso-me defraudado e desiludido… Encontrei as mesmas questões de sempre, de uma esquerda já (a)batida… Eu sou eleitor de esquerda, sempre tive, quer o meu coração, quer o meu cérebro, à esquerda… Mas confesso que há assuntos sobre os quais já tudo foi dito, mas nunca nada foi feito, como por exemplo, o Tibete. Todos sabemos que é um país ocupado, que a China pratica actos de tortura e por aí fora… Todos sabemos a realidade da Palestina… Todos sabemos o quanto vale a guerra do Iraque. Vim encontrar, neste blogue, os mesmos lugares-comuns, as mesmas preocupações, básicas e já previsíveis, que vi no site do Bloco de Esquerda, por exemplo. As mesmas questões, que, tal como as greves sem motivos enfraquecem a luta aos trabalhadores, vêem, de um certo modo enfraquecer a nossa luta. Parece que a esquerda ficou absorvida nestas realidades, e não se preocupa com mais nada… A esquerda tem, de facto, que mudar. E isto nao é uma Nova Esquerda. Esta é a esquerda de sempre, com as ideias banais de sempre, com os motivos de sempre, com os argumentos de sempre. É uma pena que assim seja… De qualquer forma, parabéns pela iniciativa.
Bem haja,
P
Caro Pedro,
Desde já agradeço o teu comentário, contudo creio que, por minha culpa (visto ter escrito pouco a nível ideológico), a tua frustração é partilhada por mim.
Eu não tenho tido muito tempo para desenvolver os meus textos ideológicos, muito menos para os meter aqui e começar uma aberta discussão sobre eles, mas acredita no que eu te digo que eu não estou intelectualmente formatado pela esquerda.
Desde já deixa-me explicar o nome do Blog: Nova Esquerda. Eu quando comecei o blog, há coisa de 2/3 anos, de facto tinha, e ainda tenho, de romper com a velha imagem da esquerda. Todos os dias ouvimos os oradores do PCP, Partido Cassetes (K7) Português, que no seu interminável discurso nunca chegam a conclusões e dão um ar de estagnação à esquerda.
A esquerda de sempre, com tu te referes, de facto tem ficado parada no tempo, incapaz de saltar para os novos tempos. Os actuais paradigmas de greve, made in PCP, enfraquecem, e facto, a luta. Marcar greves, ou melhor faltar ao emprego, às Quintas e Sextas férias, ou em vésperas de feriados só dá um aspecto caricato à luta. Contudo, não esqueçamos que é o PCP que comanda estas bases sociais, e acha que o modelo Marxista-Leninista de greve é o caminho a seguir…embora eles não quererem admitir que as coisas nunca funcionaram bem assim…
Outra razão para o nome do Blog tem a ver com as minhas raízes ideológicas. Ao contrário das esquerdas, que se dizem ora marxistas, ora leninistas, ora trostkistas, etc, eu digo-me Humanista. A minha Nova Esquerda tem como objectivo romper com os ditos socialismos do séc. XX que só provocaram miséria e mais desigualdade. Contudo, ainda não consegui acabar o meu manifesto (texto onde sintetizo toda a minha visão ideológica), onde refiro, ou irei referir, as minhas divergências com os modelos e ideologias da esquerda das últimas décadas. Mas enquanto não tenho a disponibilidade para o fazer, procurei algumas referências ideológicas que se assemelham ao que eu acredito. Nessa procura, encontrei o Marxismo: como crítica ao Capitalismo, pela dialéctica da natureza e pelo materialismo histórico. Não concordo com a maioria dos aspectos económicos do suposto socialismo, e mais discordo com a actualidade dos pressupostos marxistas sobre a realização da luta social (ou seja, as actuais greves e as lutas à PCP). Mais ainda discordo com o Leninismo, e sou totalmente anti-estalinista. Sou de esquerda Marxista porque ainda não encontrei melhor, nem escrevi melhor…, e não por achar que é o melhor que alguma vez irá existir. Não sou vassalo de nenhum intelectual de esquerda e a natureza deu-me a inteligência e motivação para querer fazer melhor.
Por isso, como podes ver, eu estou totalmente solidário com a tua crítica, tanto ao meu blog, como à esquerda actual.
Agora podes tu dizer, que eu neste blog acabo por fazer uma análise do mundo com uma visão de velha esquerda, e acabo por falar sempre nos mesmos tópicos.
Em relação a isto tenho dois argumentos de defesa:
1- Não tenho tempo senão para comentar algumas actualidades. Gostaria de ter tempo para escrever somente ideologicamente, era esse o principal objectivo deste blog.
2- Em muitas coisas parece que escrevo como qualquer outro esquerdófilo, em relação a isso tenho duas coisas a dizer: a) Se reparares melhor, tenho muitos textos de opinião muito diferentes da maioria das correntes de esquerda(como relativamente à educação,..); b) Acredites ou não, há muita gente que não está informada sobre o que realmente acontece na Palestina, Tibete, etc. Se perguntares na rua, ficarás surpreendido com a ideia generalizada de que, por exemplo, os palestinianos são os culpados… E nisso creio que estamos de acordo. E sendo estes alguns dos cenários de crise mais escandalosos do mundo, creio ser um pouco inevitável escrever sobre eles….
Contudo não deixo de notar alguma descrença, da tua parte, na esquerda. Algumas das reflexões que fazes mostram que, se calhar, não estás tanto dentro do assunto como poderias estar. Eu faço trabalho de militante pelo Bloco, e acredita que nós trabalhamos nos mais diversos temas. Só que, o que sai cá para fora pelos meios de comunicação e de divulgação, não é a totalidade do tarbalho realizado. Isto porque, do ponto de vista dos Media: os outros temas “não vendem”; do ponto de vista dos responsáveis pelos meios de divulgação do Bloco: os outros temas…”não vendem”…no sentido de mostrar trabalho feito à comunidade…mais uma coisa, dentro de muitas, que discordo no Bloco.
Podia continuar aqui a escrever, mas para resolvermos esta questão teria de acabar primeiro os meus textos ideológicos mais significativos. Contudo não tenho tempo….tenho agora de voltar para o estudo…
Só consigo prometer alguma coisa lá para setembro…
Mais uma vez agradeço muito a tua participação,
Um Abraço,
Miguel C. Romão
Desde já peço desculpas pelo mau Português, não tive tempo de rever… Eu por norma dou bastantes gralhas.