Em tempos, quando era ingénuo e jovem, acreditava na força da mudança.
Hoje ainda acredito, mas as coisas mudaram muito nestes tempos. Pelo menos na minha percepção, pois ao que parece as coisas na realidade não mudam há já anos.
Sócrates tem reinado com pulso de ferro. Oposição interna não será tolerada, deputados socialistas contra são “casos menores” num partido claramente fracturado.
O estado é a extensão do seu ser, Luís XIV sofre de inveja.
O estilo pidêsco de Salazar é para reciclar, na era do verde e do “socialismo moderno” (equivalente a Liberalismo Antigo). Escolas cercadas por burocratas maléficos, professores tornados demónios nos meios da comunicação social, funcionalismo público a ser perseguido para se justificar a “necessidade de liberalizar”.
Implementam-se regras novas para as instituições do ensino superior: piora-se a legislação para as públicas, ofrece-se um pacote fantástico para as recém criadas fundações de ensino de direito privado. A ciência e a investigação tecnológica não sofrem aumentos orçamentais, em vez, cortam-se nos quadros das faculdades públicas, congelam-se carreiras de professores, tira-se dinheiro a universidades periféricas, mas atiram-nos areia para os olhos com “casos de sucesso” que nada tiveram a ver com o governo do P”S”. Esperam-se milagres na tecnologia e ciência, mas esquece-se que os desenvolvimentos de relevo são feitos nas universidades, por professores, por alunos, por investigadores, e não nas empresas. Esquece-se que o estado, por via das faculdades, tem a maior ferramenta para desenvolver o país. Esquece-se de tudo, menos de cortar no orçamento.
Atacam-se os pobres. Defendem-se os ricos. Capitalismo para os pobres, socialismo para os ricos!! O estado paga, mas a tua saúde não, a tua educação não, a tua reforma não. Não há dinheiro, dizem, mas não há como deixar um banco falir.
Maternidades são passado, hospitais privados proliferam em sítios onde fecharam as SAP.
Os senhores da política são apanhados com as mãos nas calças à frente de bancos em falência, freeports mal explicados, empresas públicas arruinadas, decretos de lei demasiado convenientes.
Não há público como o privado, e não há privado como o público. Fazem-nos eles acreditar.
Explora-se a vida dos famosos em público, esquecem-se de se preocupar com a vida pública.
Batem-nos com uma mão e dão-nos festas com outra. Implementa-se o individualismo do xibo, do pide, do mesquinho.
Implementa-se a mediocridade.
Explora-se a mediocridade.
Exige-se a mediocridade.
Fomenta-se a mediocridade.
Enganam-nos com excelência, oferecem-nos mediocridade.
Só mediocridade, nada mais do que a mediocridade.
Basta, é tempo de ser exigente.
O século XXI chegou, sabiam? Há coisa de 8 anos.
Vamos entrar no século XXI, vamos exigir o fim do terceiro-mundismo em Portugal, acabar com um primeiro-ministro que não sabe ter vergonha de como tirou o curso, que fala à nação com termos de “bota-abaixismo”, que não sabe nem quer saber nada.
Que não se preocupa em saber, pois a mediocridade chega.
É tempo de lideranças democráticas e populares, de movimentos insurgirem-se contra a reimplementação do despotismo de Salazar. É tempo de continuar a lutar, é tempo de exigir mais!
É tempo de deixarmos de acreditar que a crise “tem de ser”, que o estado “não pode fazer nada”!
É tempo de acabar com isto tudo e tudo mais!
É tempo de exigir um estado do povo para o povo.
É tempo de Socialismo, de lutas sociais, de luta de classes. Pelo fim da social-democracia dos ricos, dos pactos de estabilidade de so enriquecem os ricos e deixam os estados presos para ajudar o seu povo.
É tempo de uma nova Europa, de um novo Portugal.
Não pelas palavras, que essas são baratas e não valem um chavo. Com acções.
No dia a dia, de pessoa em pessoa. Revela-te contra isto tudo, junta-te aos teus colegas de trabalho, argumenta contra o status-quo, partilha com os teus iguais, ri-te que isto há de acabar!
A luta é uma prática, não uma retórica, só que tive de escrever isto porque ESTOU FARTO DO SÓCRATES!
boa romão! já tinha saudades de te ler
vai mandando os teus bitaites que sempre dão que pensar.
beijinhos
Apoiado!
Concordo plenamente, todavia questiono-me do porquê de não existirem movimentos com o intuito de constituir um movimento com capacidade de se fazer ouvir e de inclusivé poder exigir explicações e responsabilidade aos políticos, pois estes vivem no paraíso da impunidade.
Até o Manel Alegre detectou a mediocridade dos que quereriam ser a tal de Nova Esquerda. São mais canhotos do que de qualquer esquerda.